À gratidão de ser único

Intransigência ficou para trás.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

dolce notte

Existem instantes que a palavra mais propícia para descrevê-los é bestificado, é incrível a inversão temporal de um segundo conseguir viver e se construir em algo tão durável que passa a ser eterno, mas antes disso o corpo ganha uma enorme capacidade de interação e movimentação de certezas incertas, de uma construção descontinua e no próximo momento ele acompanhado já para de responder a estímulos, age, só isso, como se vivesse em estado de supernova e chegasse ao ápice da sua vontade que não é mais sua mas nossa, é estranho encontrar tanta coisa desconhecida naquela explosão, humidade gélida e vontade passar a ver tudo aquilo como seu, sentir que o impossível era tão temporário quando o desejo de renovar tais momentos atemporais, que mesmo em uma segunda vez ela é tão única e desconhecida que novamente é cativante. È estranho, seria óbvio se embriagar nesse momento, sem folga, sem tempo, se tornar um desvario, mas sem nenhuma explicação os olhos presos nela insistem brutalmente a perguntar: como fui capaz de fechar meus olhos diante dela.

Não me preocupo com um segundo momento ou oportunidade, me bastarão todos os últimos.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Nesses momentos improváveis, inquestionáveis, involuntários que surgem coisas tão indescritíveis que são capazes de contradizer qualquer sentimento, talvez não verdadeiramente contraditório mas loucamente inconsequente, como todo querer, como todo buscar, como o que não sabemos viver e perdermos tempo em entender o que era só para ser presenciado e são nessas coisas, nesses momentos, nessa loucura que você livre insiste em me prender.

sábado, 16 de outubro de 2010

É ela

A inquietude de um sentimento irracional é descomunal, pode soar mais uma estúpida redundância mas a manifestações tão avassaladoras que entram em uma confusão do ser e estar de tal maneira que compreende e modifica tais pessoas emergida por elas, a vontade de fugir para um tal lugar que não se saiba onde, em dúvidas, questionamentos, certezas incertas na verdade não quer dizer para onde se deve ir mas com quem se quer chegar, não é para ser piegas, não é para ser clichê, eu sei, vai dizer isso quando a razão dá espaço quase totalitário ao estranho sentimento que vive silenciosamente gritando de tal maneira a felicitar, a mostrar como se golpeasse o coração que sem saber, bate estrangulado no peito cheio de vontade de gritar: É ela.

É ela que sem saber se torna causa e efeito de uma revolução involuntária capaz de rever em essência o poder incontrolável do mecanismo ensandecido e efervescente de algo a vir consolidado e construído naquele primeiro dia, basicamente no primeiro oi, que antes de ser um cumprimento escondeu seu subliminar, te aceito. A evidente beleza que mora dentro da maior das suas próprias virtudes que talvez seja ela mesma se mostra e encanta a qualquer um tornando a única escolha, a mais doce de todas, se render sem pestanejar.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Maldito sentimento zombador que insiste por diversas vezes gritar dentro de mim e fazer do meu querer nada mais que um patético anseio, para que tanta dor, para que essas lágrimas, porque sentir saudades, estúpido, incoerente e indeciso sentimento que nos abraça calorosamente e com tanta frieza que não tem forma, não tem idade e não tem sexo, idiotas todos aqueles que tentaram descrevê-los e a todos aqueles que por prepotência, arrogância ou afronte o quiseram experimentá-lo, que a angustia de senti-lo não per-passe um único momento além do que deva ser sentindo, que a indecência de ousá-lo desfrutar tão puro e destrutivo momento de alegria na derrota em que somos embriagados pelo amor.
Sofro de uma estranha inquietação que não sabia que existia, passo a deixar de gostar de algumas pessoas quando começo a gostar de mim, narcisismo? Confesso que não sei, o que aprendi guardando todas aquelas mágoas, aquele cinismo, decepções, frustrações, inquietações e descobrindo a estranha e nova maneira de gostar de mim, se tornou maldita para alguns e benditas para outros hoje, sei que perdi referencias, entendi que verdade absolutas são para idiotas, que ninguém é fútil ou um grande intelectual se verdadeiramente não se fizer ser e que eu... eu não acho mais nada sobre ninguém, porque eu já não entendo mais nada que passa em mim e que vulgar os outros seria uma temeridade ao que vocês dizem que é minha inteligência.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Mil Perdões
Chico Buarque

Te perdôo
Por fazeres mil perguntas
Que em vidas que andam juntas
Ninguém faz
Te perdôo
Por pedires perdão
Por me amares demais

Te perdôo
Te perdôo por ligares
Pra todos os lugares
De onde eu vim
Te perdôo
Por ergueres a mão
Por bateres em mim

Te perdôo
Quando anseio pelo instante de sair
E rodar exuberante
E me perder de ti
Te perdôo
Por quereres me ver
Aprendendo a mentir (te mentir, te mentir)

Te perdôo
Por contares minhas horas
Nas minhas demoras por aí
Te perdôo
Te perdôo porque choras
Quando eu choro de rir
Te perdôo
Por te trair

domingo, 23 de maio de 2010

Não me sai da cabeça a demência que comanda meus pensamentos em torno de um tal relacionamento amoroso, já sei onde está o erro, ele tem meu nome, tem meu jeito, tem minhas ações, mas de que adianta saber disso se a cada novo recomeço o erro se faz grandioso e se torna maior que minha vontade, incrível estupidez na qual me desdobro, incrível incapacidade de ser o que talvez eu não saiba mas verdadeiramente queira, descobri por que não gosto de palhaço, eu não gosto de me ver nas coisas e assim me sinto, um verdadeiro palhaço dos meus sentimentos.